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terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Quarta Onda

O escritor Alvin Tofler, no seu livro A Terceira Onda, oferece uma interpretação para grandes mudanças vivenciadas pela humanidade ao longo da história, apresentando a teoria ou a visão de que no passado a civilização teria vivenciado duas grandes revoluções ou “ondas”: a agrícola e a industrial.

A primeira onda, segundo sua teoria, iniciou-se no momento em que a civilização humana deixou os hábitos típicos do nomadismo, por volta de 10.000 anos atrás, e se tornou agrícola, adotando o sedentarismo. Ela durou, aproximadamente, até o século XVII.

A segunda onda veio em meados do século XVIII, quando iniciou-se na Inglaterra a Revolução Industrial, impulsionada pelos interesses de uma burguesia que buscava o lucro a partir da manufatura de produtos.

O mundo estaria, em nosso momento atual, passando por uma terceira onda, a da Sociedade da Informação, fundamentada em novos paradigmas e no estado-da-arte das tecnologias. Essa onda teve início em meados do século XX, onde informação e conhecimento passaram a ser uma forma de domínio por parte de países ou organizações. Computadores, biotecnologia, inteligência artificial, Projeto Genoma, clonagem e outros termos comuns em nosso dia-a-dia fazem parte desse cenário.

Pois bem, haveria uma quarta onda chegando? Como o livro do Tofler foi escrito em 1980 arrisco dizer que sim, e essa onda já chegou: é a era dos descartáveis!

O mundo vive atualmente a moda dos produtos descartáveis: fraldas, seringas, canudinhos, embalagens de alimentos, copos plásticos, toalhas de papel, luvas de borracha, pratos, talheres e uma lista interminável de objetos. Há quem defenda suas vantagens e há quem diga o contrário. Dizem que os descartáveis vieram para ficar...será? E o lixo gerado por essa geração de produtos, como fica?

Bem, polêmicas à parte, entendo que enquanto o conceito de descartável estava sendo aplicado apenas a produtos e utensílios, tudo bem. Percebo no entanto que adotou-se essa idéia em outras áreas, e como exemplo, basta ver muitos dos casamentos de hoje.

O casamento, como visto atualmente, parece se encaixar bem no conceito de descartável, e o casal já inicia sua vida em comum ouvindo a frase "se não der certo, separa". O exercício pleno de respeito, tolerância, paciência e amor propiciado pela relação dá muito trabalho, e a relação que poderia ser duradoura (até que a morte os separe) acaba rapidamente quando as partes não tem interesse em ceder. E assim vão aumentando as estatísticas de separações. Logicamente que há casos em que agressões e outras condutas ruins não justificam a união, mas isso é uma outra história.

Outro bom exemplo bastante interessante são os relacionamentos como o tal do "ficar", dos contatos virtuais, do sexo cibernético. Mas para que seriedade com essas coisas? Basta ficar com um ou com outro e tudo certo...será mesmo? As relações sexuais que deveriam ser praticadas com responsabilidade e amor, tornaram-se um nada, apenas para satisfazer prazeres momentâneos e são banalizadas pelas novelas, jornais e outros instrumentos de comunicação. Li outro dia num site que, assim como há a fast-food, há o fast-sex. Que coisa, não?!

O mais triste nisso tudo é ver como os seres humanos, no afã de serem "felizes", muitas vezes usam os outros sem nenhuma reserva e depois os descartam, como se isso fosse uma coisa comum. Parece até que a felicidade é um artigo manufaturado, comprado na prateleira do supermercado.

E como diz o poeta Lulu Santos: assim caminha a humanidade/com passos de formiga e sem vontade.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Bolero e a ponte do Botafogo

Essa é uma daquelas histórias de família que merece ser contada. Ela tem por cenário a Macaé dos anos 40, quando a cidade ainda era pequena e pacata e nossos pais eram crianças/adolescentes.

Meu pai (Arão) conta que nessa época tinha uns 14 anos e morava no Visconde de Araújo de frente para a linha do trem, onde hoje fica a Costa do Sol. Ele tinha por hábito pescar em alguns lugares da cidade e nesse dia havia saído com seu pai (meu querido Vovô Pulchério) e um dos irmãos (Tio José) para pescar no Botafogo. Acompanhando o grupo vinha Bolero, um esperto cão viralata que era um grande companheiro deles. Aliás, até hoje não conheço um cão que não seja um grande companheiro de seu dono.

Papai com os cães Faísca e Sudem (1951)

Para se chegar ao pesqueiro desejado o caminho era bem simples: bastava seguir o traçado da linha do trem, que pode ser feito ainda hoje. Para quem não conhece o lugar, basta se dirigir até a antiga Estação Ferroviária, em frente à Praça Santos Dumont, no Miramar, seguir os trilhos em direção à Aroeira passando no sopé do Morro de Santana, atravessar a Rua Dr. Télio Barreto e continuar nos trilhos. A última etapa da caminhada consistia em atravessar a ponte do Botafogo, uma ponte de ferro construída sobre o Rio Macaé com uns 30 metros de comprimento. Por ela passavam os trens de passageiros e de carga que transitavam entre Macaé e a cidade de Campos, no Norte Fluminense. A ponte continua por lá mas os trens...

Quando chegaram à ponte, atravessaram-na como de costume, equilibrando-se nos dormentes e segurando nas ferragens enquanto o rio corria lá embaixo. Chegaram aonde queriam, pescaram à vontade e tomaram o caminho de casa. Tudo ia muito bem quando perceberam que um auto de linha, um pequeno vagão autônomo para transporte do pessoal de manutenção da antiga ferrovia, chegava em sentido contrário.

Como Bolero ainda estava atravessando a ponte, eles gritaram insistentemente para o maquinista. Ele o viu mas ao invés de reduzir a velocidade, nada fez. Suspense...o trem foi com tudo em cima do cão, que num ato desesperado pulou da ponte, de uma altura de uns 10 metros até chegar ao rio. Salvou-se!!! Os pescadores o aguardaram na margem. O susto foi grande mas o companheiro se saiu bem da prova e recebeu o merecido carinho pela proeza.

Meu pai conta que as pescarias no Botafogo continuaram com a companhia de Bolero, mas uma coisa mudou. Quando eles chegavam na cabeceira da ponte para atravessá-la, o cão, sem que ninguém dissesse absolutamente nada, descia até a margem e ia nadando pelo rio até o outro lado, fazendo o mesmo na volta. Como diz o dito popular "seguro morreu de velho, desconfiado está vivo até hoje". E isso vale até para os amigos caninos...

Bolero, além de outros cães como Faísca e Sudem, teve participação em outros momentos pitorescos com os "intrépidos" garotos da família...mas isso fica para uma outra oportunidade.

Até a próxima!!!

domingo, 14 de junho de 2009

Saudade dos campinhos e das brincadeiras de rua

Hoje andava de carro e observei alguns meninos e meninas por volta dos 9 anos, brincando despreocupadamente. Os meninos corriam atrás de uma bola de futebol e as meninas brincavam de bambolê, todos no meio da rua. Como tenho o costume de andar devagar, parei e fiz sinal para que eles me permitissem passar, o que transcorreu sem problemas.

Vendo essa cena, lembrei-me de meus tempos de criança na Macaé dos anos 70, quando tínhamos à disposição vários "campinhos", apelido carinhoso dado aos terrenos baldios que serviam de espaço para muitas brincadeiras e é claro, para as peladas de fim de semana.

Os campinhos estavam espalhados pela cidade, e cada bairro tinha pelo menos um. No Centro havia o Ernestão, perto da Fábrica de Móveis Sigla (hoje Supermercado ABC), o campo do Luiz Reid (sem o muro naquela época), o campinho atrás do Matias Neto, o da Destilaria (hoje a FIAT) onde todo domingo jogavam "times de camisa" e vários outros. Ao lado de minha casa, no Visconde de Araújo, havia um que era palco de peladas entre nós ou de nosso time contra o das outras ruas vizinhas. Seu apelido era Beira-Morobá, e um dia espero explicar o porquê do nome.

Os emocionantes jogos no campinho só terminavam quando escurecia o suficiente para não enxergarmos a bola e não haver mais condição de brincar. A vontade de continuar jogando era tanta que saíamos daquela escuridão e íamos para o meio da rua. Fracamente iluminada pelas luzes incandescentes dos antigos postes de madeira, a rua de terra batida se tornava um prolongamento do campo e das sensações que só quem vivenciou uma autêntica pelada poderia descrever.

Como só havia um carro por ali, que era de Seu Demétrio, o trânsito era mínimo. As sandálias havaianas serviam de trave e tudo recomeçava para os craques mirins e a querida e suja bola dente-de-leite. A festa ia bem até a hora em que se ouvia as mães chamando: "vem pra dentro menino, que amanhã tem aula."

Os campinhos serviam para o pique, pular corda, polícia e ladrão, bola de gude, pião, soltar pipa, para as partidas de queimado e muitas outras brincadeiras. Era o ponto de encontro mais desejado da gurizada, que nem nos dias de chuva era esquecido. Eu gostava de levar uns barquinhos de plástico para brincar no campinho molhado junto com os colegas, e usando algumas ferramentas improvisadas como paus e pedras, ia interligando as poças d'água, construindo canais, talhando diques e docas para os barquinhos. Acho que o gosto pela Engenharia vem de muito longe.

Bem, deixemos os anos 70 e vamos retornar a 2009, em pleno século XXI e cenário de novas tecnologias e costumes.

E agora, em tempos de "Capital Nacional do Petróleo", e também de buracos, alagamentos, inchaço demográfico, bandidagem e outras mazelas urbanas, o que temos a oferecer às nossas crianças? Os campinhos se tornaram prédios residenciais, lava-jatos, estacionamentos etc. As brincadeiras do passado foram esquecidas em grande parte e substituídas por programas de tv de qualidade bastante duvidosa, diga-se de passagem, pelos computadores, videogames e internet. As brincadeiras comuns a todas as crianças ficaram apenas para algumas de comunidades menos favorecidas que ainda soltam pipa ou como atividade de Escolas. Parece que não sobrou muito para nossos filhos...

Hoje, relembrando os tempos românticos da Macaé de minha infância, onde as grandes tecnologias eram o rádio de pilha e a tv preto e branco, vejo que nós todos poderíamos ser chamados de "meninos e meninas de rua", na acepção mais ampla da expressão. E acima de tudo, felizes!!!

sábado, 30 de maio de 2009

Brincar é coisa séria!!!

A atividade de colecionar brinquedos tem sido para mim uma grande aliada na interpretação do comportamento humano e da evolução das civilizações. Pesquisar sobre brinquedos e brincadeiras, além do aprendizado sobre História, mostra que brincar é coisa séria, não sendo simplesmente "coisa de criança" como muitos acreditam. A propósito, se tiver um tempinho visite meu blog com alguns brinquedos antigos da coleção em Meus Brinquedos Antigos.

O ato de brincar, seja com brinquedos (industrializados e artesanais) ou participando de brincadeiras é, segundo diversos estudiosos da Psicologia e Pedagogia, uma das atividades mais importantes no dia-a-dia infantil, e não caracteriza somente um entretenimento. Pensadores da Educação como Piaget, Fröbel, Wallon além de outros pesquisadores, mostram que brincadeiras e jogos são importantes ferramentas no processo de aprendizagem.

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As brincadeiras também podem ser vistas sob outra ótica. O historiador e folclorista brasileiro Câmara Cascudo, autoridade mundial em Folclore, mostra em seus estudos um número considerável de jogos populares, parlendas, adivinhas, acalantos e cantigas de roda que estão agrupados sob a égide de "Folclore Infantil".

A brincadeira estimula o desenvolvimento infantil, pois canaliza emoções e anseios, favorece a cognição e a criatividade, estimula trocas com o meio, auxilia no trabalho cooperativo e de certa forma, prepara o indivíduo para a vida futura. O tema é tão sério que mereceu a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao aprovar em 1959 a Declaração Universal dos Direitos da Criança, a ONU registrou em seu Princípio VII - Direito á educação gratuita e ao lazer infantil, que "A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito."


E falando um pouco em brinquedos, eles podem ser entendidos como artefatos artesanais ou manufaturados desenvolvidos para o lazer, que além de entreter podem auxiliar no desenvolvimento cognitivo, na motricidade etc. Normalmente associa-se os brinquedos às crianças, embora adultos também possam se valer deles como atividade de entretenimento, colecionismo ou até mesmo no ambiente de trabalho, como mostram estudos em Administração de Empresas sobre uso de jogos de simulação no treinamento e seleção de gestores em diversas áreas profissionais.

Os historiadores mostram que a evolução dos brinquedos se confunde com a própria história da humanidade. As primeiras bonecas teriam surgido há 40.000 anos, na forma de estatuetas de barro utilizadas em rituais. Quase 15.000 anos depois, os japoneses produziram bolas com fibras de bambu. Na China, os brinquedos eram feitos de fios de crina de cavalo. Gregos e romanos utilizavam penas de aves e couro. Hoje as matérias-primas são as madeiras, vidro, metal, plástico e outros materiais modernos, permitindo um número imenso de possibilidades.

O fascínio exercido pelos brinquedos e jogos sobre crianças e adultos se renova a cada dia, não importa a época ou lugar. Como teria dito o filósofo Platão, “brincar é preciso”.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

15 Anos de Corridas Sem Graça

O dia 1º de maio pode ter um significado ainda mais amplo que a comemoração do Dia do Trabalho. Façamos uma viagem no tempo ao dia 1º de maio de 1994, na Itália. Era domingo e acontecia o Grande Prêmio de San Marino de Fórmula 1, circuito de Ímola.

Após 7 voltas, às 13h40 (horário de Brasília), o alemão Michael Schumacher pilotando sua Benetton, vê a Willians-Renault de número 2 saltar duas vezes e chocar-se violentamente contra o muro na curva Tamburello, a uma velocidade de quase 300 Km/h. Milhões de apreensivos telespectadores espalhados pelo planeta assistiam pela tv via satélite (eu me incluo nesse grupo) o encerramento da carreira de alguém que se tornaria um mito, e que segundo opiniões de pessoas do mundo inteiro, é o maior piloto de todos os tempos: Ayrton Senna da Silva.

O mundo chorava a perda de um campeão, mas muitos brasileiros choravam a perda de um símbolo. Ayrton não era apenas um piloto ético, arrojado, ousado, corajoso e exímio calculista, como seus colegas o classificavam. Era um cidadão brasileiro que empunhava nossa bandeira incondicionalmente e isso nos fazia bem pois elevava a auto-estima. Tínhamos orgulho (ainda o temos) de dizer ao mundo que aquele era um autêntico piloto brasileiro.

O Brasil gerou vários pilotos de Fórmula 1 como Emerson Fittipali, Wilson Fittipaldi Jr., Chico Serra, José Carlos Pace e Nelson Piquet, alguns deles campeões. E o talento de nosso tricampeão Ayrton é hoje comparado aos monstros sagrados da Formula 1, como Juan Manuel Fangio, Jim Clark e Jack Stewart.

Ayrton tinha qualidades que o colocavam acima de outros pilotos: conhecia profundamente a mecânica e eletrônica dos carros, tinha coragem de arriscar tudo em certas manobras, e era extremamente competente para superar dificuldades. Diversos mecânicos e engenheiros que trabalharam com ele ficavam surpresos com a precisão de suas observações após poucas voltas no carro. Basta lembrar de sua entrada nas pistas da Fórmula 1 pilotando a obscura Toleman-Hart número 19 na temporada de 1984 e do que ele fez com o carro, chegando em 2º lugar no GP do Canadá e em 3º lugar nos GPs da Grã-Bretanha e Portugal.

Além de tudo isso, demonstrava ser um homem de bem e preocupado com o próximo, pelas doações que fazia à entidades de apoio à crianças carentes e hospitais, coisa que fazia de forma bastante discreta e longe dos microfones e holofotes que o tratavam apenas como celebridade. Certa vez, durante um evento, ele fez um comentário: “Se a gente quiser modificar alguma coisa, é pelas crianças que devemos começar, através da sua educação”.

Desde aquela época, perdi o gosto pelas corridas de Fórmula 1, exceto pelas brincadeiras com meu autorama. Os domingos ficaram, como posso dizer, sem graça e faltando alguma coisa. Ayrton era um genuíno herói brasileiro, e que representava a Maria, o José e tantos outros brasileiros anônimos que tocam esse país para frente, mesmo com toda essa roubalheira que está por aí.

Era gostoso parar na frente da tv aos domingos para ver nosso herói correr, pois a gente sabia que mesmo perdendo a corrida, havia ali uma pessoa que levantava o moral verde-amarelo. Era o Ayrton, o Ayrton Senna do Brasil. Que Deus o abençoe, aonde quer que esteja!!!

Herói

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Coração e a Pluma

A história do Egito e de seu povo é fascinante e apaixonante sob vários aspectos. Desde que o pesquisador francês François Champollion decifrou a escrita hieroglífica na famosa Pedra da Roseta (século XIX), inúmeras riquezas afloram do grande manancial de sabedoria desse povo, influenciando na ciência, cultura, religiosidade e outras áreas. É bom lembrar que a Egiptologia foi criada na França pelo próprio Champollion no Collège de France.

Embora não seja historiador, gosto muito do tema e em algumas pesquisas sobre a mitologia egípcia e sua relação com a religiosidade dessa civilização da antiguidade, encontrei algo curioso sobre um de seus deuses, Osíris.

O nome Osíris é um termo grego, que teria vindo de nomes como Asar, Use, Usir, Usire, Unnefer ("o que é bom"), mas não se sabe ao certo o seu real significado. Osíris é reconhecido como o deus da terra, da agricultura e da ressurreição. Sua representação mais comum apresenta a pele verde, associada a vegetação, e a túnica branca.

Segundo o Livro dos Mortos, o indivíduo recém chegado ao mundo espiritual passava pelo Aukert (mundo subterrâneo) e depois seguia em direção ao Amenti, morada de Osíris, onde seria julgado.

O julgamento de Osíris consistia em comparar o peso do coração do morto com uma pluma de avestruz, utilizando uma balança de pratos, cerimônia da qual participavam Anúbis (representado com a cabeça de chacal), o deus da morte, Hórus (representado com a cabeça de falcão), deus dos céus e da realeza, e mais alguns deuses. Assim como os pesos em cada prato da balança podem se equilibrar ou fazer com que ela penda para um dos lados, se o coração se equilibra com o peso da pluma, significa que o indivíduo foi uma pessoa de coração puro e bondoso, e não cometeu erros que o afastariam da caminhada para a vida eterna no Campo da Paz, e a felicidade.

Por outro lado, se o coração for mais pesado que a pluma, significa que essa pessoa não foi respeitosa, honesta e confiável, e assim não poderia seguir o caminho da eternidade. Para Osíris, cujo julgamento era infalível, quanto mais puro o coração, mais justo havia sido o indivíduo. Quanto mais impuro, mais distante da verdadeira essência dos propósitos da vida.

Embora essa passagem faça parte da mitologia egípcia, é possível aplicá-la em nossas vidas. Quantos de nós carregamos o fardo pesado de um coração endurecido e intransigente, que não perdoa, não se amolece diante das necessidades de outros, distante dos caminhos que levariam ao ideal do "homem integral", aquele que está em ressonância com a energia criadora do cosmo. Quantos julgam seus semelhantes, sem que tenham a mínima condição ética e moral para exercer tal tarefa.

Hoje meu coração estava "um chumbo" de tão pesado, e pensando nessas coisas procurei fazer a lição de casa. Escrevi para alguém que não vejo há dois anos, e é uma pessoa da qual me afastei por ter deixado meu orgulho ser muito mais forte que a razão. Bem, fiz a minha parte pedindo desculpas...quem sabe até eu seja perdoado?

Que tal ir para a cama com o coração leve? Amando mais, perdoando mais, compreendendo mais, ouvindo mais, falando menos, enfim, repensando atitudes e modificando o padrão mental. Não é fácil mas é possível, e vale a pena tentar. Essa é a dica milenar, porém muito atual, da mitologia egípcia e do sábio deus Osíris.

Ótima semana a todos.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Envelhecer é Viver

O processo de envelhecimento é um fato incontestável na vida de todos os seres, e deveria ser encarado como uma coisa natural. Infelizmente, a velhice não é vista com bons olhos por muitos de nós, e muitas vezes é tratada como uma maldição, uma coisa abominável. Recentemente, numa entrevista em um jornal de grande circulação no país, uma socialite carioca afirmava que "envelhecer é terrível", palavras que soam até de forma desrespeitosa para com aqueles que já atingiram um certo patamar de existência.

Este assunto nos induz a pensar em dois verbos: envelhecer e amadurecer. Eles estão juntos em nossa vida, andam lado a lado? Bem, deveriam estar, mas arrisco dizer que isso não ocorre com muita frequência. Alguns dizem que os cabelos brancos são sinal de sabedoria; será isso mesmo ou apenas o momento em que os pigmentos capilares deixaram de ser produzidos?

Li uma história num site, cujo título é Envelhecer e Amadurecer, de autor desconhecido e vou transcrevê-la aqui:

'No primeiro dia na Universidade nosso professor se apresentou e nos pediu que procurássemos conhecer alguém que não conhecíamos ainda.

Fiquei de pé e olhei ao meu redor, quando uma mão me tocou suavemente no ombro. Era uma velhinha enrugada cujo sorriso lhe iluminava todo seu ser.

- Oi gato, meu nome é Rose. Tenho oitenta e sete anos. Posso te dar um abraço?
Ri e lhe respondi com entusiasmo:
- Claro que pode!
Ela me deu um abraço muito forte.
- Por que a senhora está na Universidade numa idade tão jovem, tão inocente? Perguntei-lhe.
Rindo, respondeu:
- Estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me, ter uns oito filhos, e logo me aposentar e viajar.
- Eu falo sério – disse-lhe.
Queria saber o que a tinha motivado a afrontar esse desafio na sua idade. E ela disse:
- Sempre sonhei em ter uma educação universitária e agora vou ter!
Depois da aula caminhamos ao edifício da associação de estudantes e compartilhamos uma batida de chocolate. Nós nos fizemos amigos em seguida. Todos os dias durante os três meses seguintes saímos juntos da classe e falamos sem parar. Fascinava-me escutar esta " máquina do tempo". Ela compartilhava sua sabedoria e experiência comigo.

Durante esse ano Rose se fez muito popular na Universidade, fazia amizades aonde ia. Gostava de vestir-se bem e se deleitava com a atenção que recebia dos outros estudantes. Desfrutava muito.

Ao terminar o semestre convidamos Rose para falar no nosso banquete de futebol. Não esquecerei nunca o que ela nos ensinou nessa oportunidade. Logo que chamaram seu nome ela subiu ao palco e, quando começou a pronunciar o discurso que tinha preparado de antemão, caíram no chão os cartões onde tinha os apontamentos . Frustrada e um pouco envergonhada se inclinou sobre o microfone e disse simplesmente:

- Desculpem que eu esteja tão nervosa. Deixei de tomar cerveja pela quaresma e este whisky está me matando! Não vou poder voltar a colocar meu discurso em ordem, assim, se me permitem, simplesmente vou dizer-lhes o que sei.

Enquanto nós ríamos, ela aclarou a garganta e começou:
- Não deixamos de brincar só porque estamos velhos; ficamos velhos porque deixamos de brincar. Há só quatro segredos para manter-se jovem, ser feliz e triunfar. Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias. Temos que ter um ideal. Quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a morrer. Há tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem sequer sabem!

Respirou profundamente e começou:
- Há uma grande diferença entre estar velho e amadurecer. Se vocês tem dezenove anos e ficam na cama um ano inteiro sem fazer nada produtivo se converterão em pessoas de vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e fico na cama por um ano sem fazer nada terei oitenta e oito anos. Todos podemos envelhecer. Não requer talento nem habilidade para isso. O importante é amadurecermos encontrando sempre a oportunidade na mudança. Não me arrependo de nada. Os velhos geralmente não se arrependem do que fizeram, senão do que não fizeram. Os únicos que temem a morte são os que tem remorso.

Terminou seu discurso cantando "A Rosa". Nos pediu que estudássemos a letra da canção e a colocássemos em prática em nossa vida diária.


Rose terminou seus estudos. Uma semana depois da formatura, Rose morreu, tranqüilamente enquanto dormia. Mais de dois mil estudantes universitários assistiram às honras fúnebres para render tributo à maravilhosa mulher que lhes ensinou com seu exemplo que nunca é demasiadamente tarde para chegar a ser tudo o que se pode ser.

"Não esqueçam que ENVELHECER É OBRIGATÓRIO; AMADURECER É OPCIONAL".

Extraído do site "As Mais Belas Histórias Budistas", disponível em http://www.vertex.com.br/users/san/

A história fala por si e não necessita de maiores explicações. O envelhecimento não pode ser visto como um fardo mas como um processo natural da vida, onde temos a condição de continuar nosso crescimento intelectual, emocional, religioso e psicológico. É o momento de se olhar para trás, analisar o que foi vivido, sentir alegria pelas conquistas e a sabedoria adquirida com os erros e fracassos, renovar a fé na energia cósmica que nos permitiu estar aqui para desempenhar um papel na sociedade. Envelhecer é, acima de tudo, VIVER!!

Alfredo Luiz Pessanha Manhães.